sábado, 13 de julho de 2013

Como conviver tranquilamente com uma criança de dois anos



Os dois anos são uma idade interessante, porém difícil. Como viver em paz com uma criança de dois anos?

Creio que a primeira coisa que devemos fazer é ter clareza sobre qual é nossa perspectiva a respeito de crianças pequenas e o que a disciplina significa para você e sua família. Por exemplo, exercer uma forma de disciplina mais pacífica (como apresentada aqui) lhe traz medo de que seus filhos não terão limites? Você não consegue visualizar outras ferramentas que substituam o gritar ou o castigo? Pense a respeito!

Lembre-se que as crianças pequenas não são mini-adultos que racionalizam e precisam de informação sobre tudo como nós. É preciso esforço, paciência e muita repetição para guiar uma criança! As crianças precisam ser tratadas com dignidade e respeito, calor e amor. Elas merecem isso, mesmo porque irão imitar sua forma de agir.

Como sempre, tudo começa verdadeiramente com você mesmo(a). Você deve estar o mais centrado(a) possível, pois se achar que vai perder as estribeiras todas as vezes que seu filho(a) de dois anos se descontrolar, será realmente um longo ano. Uma criança de dois anos tem um excesso completo de emoções e impulsos que elas não podem regular de forma alguma. Visualize a si mesmo(a) como uma esponja que suga todas essas emoções em excesso; sim, é exaustivo, mas faz parte de ser pai e mãe. Então parte do seu trabalho interior, que deve ser prioridade, é se fortalecer a fim de poder dar este suporte para a criança. Uma opção que funciona para algumas pessoas (no sentido de se fortalecer para poder dar apoio à criança) é realizar atividades artísticas regularmente, como pintar, desenhar ou esculpir diversas vezes por semana.

Também é essencial ter apoio de pais com opiniões parecidas sobre a criação dos filhos. Não aqueles que dirão “Meu Deus, como esse menino está lhe manipulando!”, mas sim aqueles que compreendem a natureza de uma criança de dois anos e que podem lhe ajudar numa perspectiva amorosa.

É importante saber que as crianças de dois anos têm dificuldade em compreender gestos não verbais, como por exemplo a cara feia que você faz para um mau comportamento. Na verdade a criança de dois anos, na melhor das hipóteses, sabe apenas imitar, e pode até fazer uma cara feia para você como resposta ou qualquer outra coisa que você estiver fazendo naquele momento. Afinal, eles estão lhe imitando e nem sempre fazem ideia de que você está com raiva. Às vezes a criança de dois anos até ri quando a mãe está com raiva. Isso NÃO é uma risada zombeteira ou desafiadora, mas apenas uma demonstração de que a criança sabe que alguma coisa relativa às emoções da mãe está diferente naquele momento, mas não sabe o que fazer ou como consertar. Pense nesse tipo de comportamento como uma expressão de insegurança por parte da criança e tente adequar sua reação de acordo com essa ideia.

Outra questão importante é refletir sobre sua própria postura em relação à raiva. Como você reage no calor do momento? Qual é o seu plano? Que ferramentas você pode usar para ajudar a guiar seu pequeno filho(a) ao invés de gritar e brigar?

Abaixo seguem algumas práticas e ferramentas que podem ser utilizadas para disciplinar seu filho(a) gentilmente e pacificamente (além do seu próprio trabalho interior, é claro):
  • CONEXÃO! Aprecie estar junto do seu filho(a): amamentar, dormir junto, colocar no colo, carregar num sling, brincar junto, comer junto. Se quatro anos ainda é uma boa idade para dar colo, imagine que uma criança de dois anos ainda é muito pequenina! A conexão é de extrema importância!
  • RITMO! Tenha um ritmo diário, especialmente para as horas das refeições e de descanso. E lembre-se que para a criança dormir no horário certo é preciso ter hora certa para acordar também (veja aqui um artigo sobre ritmo: http://acordagirassol.blogspot.com.br/2011/07/trazendo-ritmo-para-vida-do-bebe.html).
  • Cantar e dizer versos ao invés de comandos diretos pode ser muito eficaz. Evite fazer perguntas que você sabe, de antemão, que serão respondidas com um “NÃO!”. Cante, promova o silêncio e pare de ficar fazendo perguntas e mais perguntas (ex: “Você quer isso? Você quer aquilo?” – o melhor é guiar a criança para a ação ou dar o exemplo, como simplesmente colocar o alimento na mesa e começar a comer na frente dela na hora do lanche). E você pode demonstrar o seu amor por meio de sorrisos, carinho, abraços, risadas – não apenas palavras!
  • Falar com a criança por meio de imagens também é muito eficaz. Use a imaginação! Exemplo: “Fulano, venha até aqui pulando com um coelhinho”.
  • Em momentos de crise, tente respirar fundo algumas vezes antes de reagir. E sempre que possível use táticas de distração ou redirecionamento.
  •  Você nunca pode ter medo de pegar no braço uma criança gritando e chutando. A criança de dois anos pode, naquele momento, precisar que você gentilmente a contenha para que volte a si. E se isso não funcionar, procure não ficar tão ansioso(a) para que a criança pare. Simplesmente esteja presente e saiba que essa é uma das formas que a criança usa para colocar para fora o que para ela é, naquele momento, uma torrente de emoções. Fique calmo(a) e espere passar. É claro que é preciso intervir se o local oferece riscos à criança ou se ela está quebrando coisas, levando-a se possível a um outro local (na grama é ótimo!!).
  •  A criança dessa idade precisa passar MUITO tempo fora de casa em locais abertos onde possa se movimentar: no parquinho, na natureza, etc. Ela precisa usar sua energia, empurrar coisas, puxar, se acocorar, etc. Precisa de brincadeiras que estimulem os sentidos: água, areia, lama...
  • Não dê nenhuma escolha, ou poucas. É muito difícil para uma criança de dois anos fazer uma escolha, mesmo que mínima. Inevitavelmente ela vai querer uma coisa e depois a outra e depois vem o desespero, o escândalo! Não coloque a criança nesta situação difícil!
  •  Tente realizar seus compromissos de rua (compras e etc.) sozinho(a), se possível. Isso evita tantos problemas nessa idade!
  • Evite criar a expectativa de que o dia só será “bom” se seu filho(a) de dois anos se comportar completamente e não der nenhum “ataque”. Reformule suas expectativas e avalie o seu dia de acordo com a forma (e a calma!) como você conseguiu lidar com as situações difíceis. E, por favor, perdoe a si mesmo! Nós, como pais, estamos numa jornada que necessita de muito esforço.
  • Não espere que uma criança de dois anos saiba compartilhar bem suas coisas ou que fique calma e silenciosa enquanto seu irmãozinho mais novo cochila por duas horas, por exemplo.
  • Guie seu filho(a) de acordo com que sua família precisa como um todo.
  •  Não se sinta ofendido(a) se você não for o pai/mãe preferido(a) da semana. Não é pessoal!


Por fim, tente aproveitar essa idade! É preciosa e passa tão rápido!


Entrevista sobre a criança e o sono

As crianças precisam de mais horas de sono do que se imagina. E ele é fundamental para a saúde e o desenvolvimento.

Entrevista com o médico antroposófico Derblai Sebben 
Conversamos com o médico Derblai Sebben, que estudou Ritmos Biológicos na USP (Universidade de São Paulo) e Medicina do Sono na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), para saber quais são os principais erros que os pais cometem em relação ao sono dos filhos. Deixá-los acordados até tarde, não manter horários de rotina e supor que a criança não dorme “porque é assim mesmo” estão entre os maiores enganos. Mas o pior dos problemas é deixar a criança dormir menos do que precisa – e elas precisam de muitas horas de sono por dia. Confira.
iG: Quais os erros mais comuns que os pais cometem em relação ao sono dos filhos?
Derblai Rogério Sebben: O principal problema da vida moderna é a falta de ritmo – ou seja, a falta de rotina. A vida moderna dos pais faz com que a gente viva correndo. A pessoa acorda atrasada de manhã, corre para tomar café e passa o resto do dia ansiosa. Isso incomoda a criança facilmente. Elas sofrem com essa falta de rotina, com a vida apressada dos pais. As crianças ficam agitadas, essa falta de ritmo leva à hiperatividade da criança. E isso geralmente tem relação direta com a falta de rotina dos adultos.
As crianças precisam de ritmo. Ritmo é igual a saúde. Se você quer que alguém se desenvolva com mais saúde, a estratégia é cuidar dos ritmos.Comer na hora certa, dormir na hora certa, criar e seguir uma rotina. Se os pais não mantêm uma rotina para si, isso passa para as crianças – e elas adoecem, psicológica e fisicamente.
Outro erro comum dos pais é achar que as crianças já nascem com problemas de sono. As mães me falam: “meu filho não dorme, desde bebê ele é assim”. Nada disso! A não ser que a criança nasça com um problema neurológico mais grave, sempre explico para elas que a “programação genética” da criança é ela dormir quando o sol se põe e acordar quando o sol nasce. Muitos pais se enganam e acham que o filho tem um problema, mas é só falta de rotina.
iG: Muitos pais estabelecem uma rotina em que a criança vai dormir mais tarde porque eles chegam tarde do trabalho, e querem passar algum tempo com o filho. Como resolver este dilema? É melhor ficar sem ver os pais no dia a dia?
Derblai: Os estudos mostram que, durante o horário das 8 às 10 horas da noite, a criança se beneficia muito mais do sono do que da presença dos pais. Mas isso pode ser adaptado, claro. Se querem passar um tempo com os filhos, seria mais razoável que, ao chegar em casa, os pais tivessem uma conduta que vá tranquilizando a criança. Fazer um lanchinho leve, colocar na cama, ler uma história são opções melhores do que chegar e brincar, fazer bagunça, estimular. A criança poderia dormir às 8 ou 9, mas acaba dormindo às 10 horas da noite, porque os pais chegam e estimulam demais. As mães e os pais devem se lembrar que às 8, 9 da noite, eles próprios já estão cansados também. O melhor é que os filhos já estejam dormindo quando os pais chegam em casa, se eles chegam tarde. E, uma vez por semana, os pais podem se comprometer a chegar mais cedo e ficar com a criança antes dela dormir.
iG: Qual a importância do sono na infância?
Derblai: Até os 18, 20 anos de idade, o organismo da criança ou do adolescente está em formação. Enquanto nós, adultos, dormimos para regenerar os órgãos, a criança dorme para formá-los. Órgãos, ossos, músculos – o corpo inteiro delas está em desenvolvimento, crescimento. O principal deles é o cérebro. O sono tem participação fundamental no desenvolvimento neurológico. A criança que dorme bem forma melhor seu cérebro, o que influencia também no comportamento. Dormir bem previne o déficit de atenção e a hiperatividade.
iG: Quanto tempo de sono por dia uma criança, em cada fase, deve ter?
Derblai: Quando recém-nascido, o ideal é dormir de 15 a 18 horas por dia. Na fase de lactente, até os dois anos, a recomendação é de 13 a 15 horas. Os pré-escolares (até 5 anos) precisam de 12 a 13 horas diárias de sono. A criança em idade escolar (de 5 a 11 anos), precisam de 10 a 12 horas e o adolescente, de 9 a 10 horas.
iG: Qual a melhor hora para as crianças irem para a cama?
Derblai: Por volta das 7, 8 horas da noite, a produção do hormônio melatonina, que regula o sono, sobe – e a adrenalina desce. Esse é o horário em que é mais fácil a criança dormir. Mais fácil do que às 10 horas da noite, quando se inverte a produção.
iG: Quais os problemas que a falta de sono acarreta para as crianças?
Derblai: A criança que dorme mal pode ter problemas de imunidade – fica resfriada com mais frequência, por exemplo. Quando dormem mal, os pequenos não ficam como a gente, em ritmo lento. Eles ficam elétricos e podem ter problemas de comportamento.
iG: Quais as dicas para a hora de colocar uma criança para dormir?
Derblai: O sono é uma questão biológica. Quem dorme é o corpo, o cérebro tem que ser orientado para dormir. Como induzir o cérebro ao sono? As palavras-chave são escuro e silêncio. Esta dupla dispara a liberação da melatonina. Outras dicas práticas são ter um horário fixo e criar um ambiente apropriado para o sono. Fazer um ritual é uma boa ideia: pode acender uma velinha, deixar uma luz de abajur suave, contar uma história, fazer uma massagem – não massagem especializada, apenas um toque agradável. O importante do ritual é sua repetição. E ele deve ser bem simples. Quanto mais simples para a mãe, melhor para a criança.
iG: E o que não fazer na hora de dormir?
Derblai: Colocar para dormir com televisão ligada, DVD ou música não são atitudes recomendáveis.

domingo, 3 de julho de 2011

Trazendo ritmo para a vida do bebê

Traduzido e adaptado livremente do texto de Kristen Burgess

(http://www.christopherushomeschool.org/early-years-nurturing-young-children-at-home/the-waldorf-baby/bringing-rhythm-to-your-baby.html)

Uma vida ritmada e organizada nutre a criança, inclusive o bebê. Trazer ritmo aos dias e à vida do bebê também trará benefícios para você e para toda a família.

Uma vida com ritmo e rotina não significa seguir horários rígidos. Ritmo é algo mais natural e orgânico, que flui. É algo que ajuda a família, não algo que prende.

Se você ainda está grávida e se preparando para o nascimento do seu filho, sugiro que você se liberte de quaisquer expectativas para as primeiras semanas de vida do bebê. Esse é um momento onde você estará conhecendo o bebê e ele ou ela estará se ajustando à vida fora do seu ventre. Passe bastante tempo conversando e conectando-se com o bebê e, sempre que der, descanse o máximo possível.

Quando seu bebê tiver com duas ou mais semanas você pode começar a criar um ritmo. Na verdade, você pode começar assim que sentir que é a hora. Apenas tente não se cobrar muito cedo após o parto.

Comece criando um ritmo para guiar seu dia. Se você tem filhos mais velhos isso pode ser mais fácil, pois você provavelmente já tem horas de acordar, comer e dormir (e se não tiver, isso pode ser uma boa hora para começar!). Se esse bebê é seu primeiro, você precisará de mais disciplina. Foi bem mais difícil para eu dar um ritmo à vida do meu segundo e terceiro bebê que do primeiro.

Comece escolhendo uma hora para acordar (ou para acordar o bebê, se você quiser acordar antes), uma hora para comer (e lanchar também!) e uma hora para colocar o bebê para dormir. Esses horários não precisam ser rígidos: algo como “em torno das 8 horas” já está bom. Recomendo que você leia sobre os benefícios que dormir cedo trazem para as crianças e escolha um horário de acordo para o bebê. Para se ter uma idéia, meus filhos dormem às 7 horas!

Agora você tem um “roteiro” para começar a conviver com seu novo bebê (ou bebê mais velho!). Acorde pela manhã e se prepare para o dia. Prepare o bebê para o dia. Coma seu café da manhã enquanto amamenta. Depois você pode fazer algum serviço pela casa com o bebê num sling, dar um passeio perto de casa e então amamentar mais um pouco!

Quando você for lanchar, amamente o bebê. Seu bebê começará a associar a hora do lanche com a amamentação. Aos poucos você pode começar a acostumar o bebê a tirar um cochilo matinal logo após essa hora do lanche. Aos poucos seu bebê irá se ajustar a esse ritmo e rotina.

O mesmo acontece com o almoço. Amamente logo após o almoço ou durante o almoço. Quando tive meu segundo filho, eu colocava o almoço do primeiro e então amamentava o bebê enquanto eu almoçava. Depois eu colocava o bebê na cadeirinha para dormir enquanto ninava o mais velho no colo. Fiz o mesmo quando tive o terceiro filho.

Quando meu segundo filho era bebê ele dormia mais ou menos uma hora na cadeirinha enquanto eu e o mais velho também cochilávamos. Depois ele acordava para amamentar e dormia por mais duas horas. Sim, um cochilo de três horas! Enquanto isso, eu e o mais velho tínhamos bastante tempo juntos sozinhos enquanto o bebê dormia. Foi parecido quando veio o terceiro.

Destaco que esse deve ser um processo gradual e suave. Tenha confiança no ritmo e padrões de sua família que aos poucos o bebê entrará neste ritmo.

Carregue o bebê num sling enquanto você faz as tarefas de casa pela tarde e o tenha por perto no jantar. Seu bebê vai querer amamentar quando acordar do cochilo da tarde e no início da noite, mas tente encorajá-lo a ficar acordado nas duas horas que antecedem seu horário de dormir.

Tenha uma rotina tranqüila de preparação para o sono. Um bebê pequeno pode acordar as 16hs e ainda assim estar pronto para ir dormir às 19hs. Guardar os brinquedos juntos, fechar as cortinas, se banhar, trocar de fraldas e colocar o pijama, cantar canções de ninar – tudo isso ajudará o bebê a saber que a hora de dormir está chegando.

Balance e amamente o bebê e deite-o para dormir. Se você tem o costume de dormir com o bebê na mesma cama, você pode escolher deitar com ele até ele adormecer e depois se levantar.

Se seu bebê acordar de novo, simplesmente amamente-o e coloque o novamente na cama. Um horário de dormir cedo para o bebê dará a você um tempo para si. Você poderá tomar um banho relaxante, ter tempo com seu parceiro, ler, conversar ao telefone, ficar no computador ou apenas ter um tempo para si em silêncio.

Esse começo de rotina suave irá se desenvolver à medida que seu bebê cresce. Mantenha esse “roteiro” básico e outros ritmos irão se desenvolver com o tempo. É claro que há dias quando você vai precisar passar o dia “dançando” com o bebê nos braços quando ele tiver mais abusado ou noites quando o bebê não vai querer dormir, mas tudo isso faz parte. Porém, ter um ritmo geral será muito bom para todos.

Também lhe encorajo a ficar o máximo de tempo em casa com seu bebê! Programe suas tarefas fora de casa para um único dia da semana, ou dois no máximo, e honre sua rotina com o bebê. Honre os cochilos da tarde e, em especial, a hora de dormir. Esse pode ser um sacrifício da sua parte, mas é melhor para o bebê (e será durante muitos anos!). Felicidade para um bebê é estar com você, ficar junto de você num sling enquanto você faz suas tarefas e caminhar pelo vizinhança e pela natureza. A simplicidade da vida e a paz de ter um ritmo é um presente que ganhamos quando temos ter filhos.

Encorajo-lhe a cobrir a televisão durante o dia com um tecido bonito. Seu bebê não precisa dela e seus filhos pequenos não precisam dela. Ao invés disso, mostre sua casa e sua vizinhança ao bebeê. Inclua o bebê na sua vida, não ocupe a vida dele com uma TV.

Cante para seu bebê ao longo do dia. Seu bebê irá amar independente se sua voz é boa ou não! Você também poderá recitar versos infantis simples e associá-los aos diferentes momentos e tarefas do dia. Por exemplo: canções ou versos para tomar banho, lanchar, guardar os brinquedos, etc.

Conheça bem o “roteiro” e vá guiando seu bebê suavemente dentro da sua rotina diária. Honre o ritmo do seu bebê. Cante e recite. Deixe que o bebê veja a vida da casa e a natureza de dentro do sling. Lembre que é normal que alguns dias sejam difíceis. E confie que esse ritmo irá nutrir e apoiar seu bebê e você também!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Conectando-se com nossos filhos

Por Carrie Dentley, baseado no capítulo 14 do livro “Hold On to Your Kids”; tradução livre (ver texto original em http://theparentingpassageway.com/2011/02/01/hold-on-to-your-kidscollecting-our-children)

Conectar-se ao nosso eu interior e aos nossos filhos, em conjunto com dar limites, é o que faz a disciplina funcionar. O autor começa este capítulo dizendo: “No topo da nossa agenda devemos colocar a tarefa de conectar-se com nossos filhos, de colocá-los sob nossas asas, de fazer com que eles queiram pertencer a nós e estar conosco. Não podemos mais supor, como os pais de antigamente podiam, que uma forte ligação inicial entre nós e nossos filhos irá durar o quanto precisarmos. Não importa o quão grande for nosso amor ou quão bem intencionada for nossa criação, sob as circunstâncias atuais temos menos margem para errar que todos os pais do passado. Enfrentamos competição demais”.

Então a questão fica sendo como conectamos DIARIAMENTE e REPETIDAMENTE com nossos filhos. Isso se encaixa bem com o estilo Waldorf devido ao uso extenso dos ritmos.

Os autores resumem quatro passos para tal conexão:

1. Entre no espaço da criança de modo amigável. Com crianças mais velhas, muitas vezes o único contato direto com os pais é quando algo está errado. O livro cita que criança que está aprendendo a andar experiencia, em média, uma proibição a cada nove minutos, que a redireciona para outro local. Então, quanto a criança cresce, os pais passam menos e menos tempo com ela no sentido de ficar apenas juntos, e o tempo que passam juntos é, quase sempre, para corrigir comportamentos errados.

Precisamos reconectar com nossos filhos após cada separação. A separação inclui não apenas a escola ou quando os pais vão para o trabalho, mas também depois que a criança acaba uma brincadeira, uma leitura, uma tarefa de casa, um filme ou ao acordar. Como isso é feito varia de família para família, mas é possível começar cumprimentando a criança que retorna de algum local ou de uma atividade. Faça o mesmo com os filhos dos seus amigos e com as crianças da vizinhança.

Acredito, também, que diminuir a quantidade de atividades que a família desenvolve fora de casa e dar maior importância aos rituais diários como cozinhar e comer juntos dá uma base sólida para os rituais de conexão.

2. Forneça algo para a criança poder se ligar a você emocionalmente: calor, calor emocional, atenção, interesse, ouvir a criança ou dar um abraço, beijo ou afago; o que cada criança precisar! “A criança precisa saber que é querida, especial, significativa, valorizada, apreciada, que sentem saudades dela, que gostam de sua companhia. Para uma criança receber completamente um convite à conexão (e acreditar nele e mantê-lo em sua mente mesmo com a distância física) é preciso que este seja genuíno e incondicional”.

Isso é muito importante mesmo quando você não tiver com vontade, pois seu filho está se desenvolvendo, o que nem sempre é fácil. Conecte-se com esta criança, ame-a! Guia-a, mantendo os limites, pois é você que é o adulto maduro com experiência de vida. Se você tiver a atitude de que irá criar esta criança para ser um bom ser humano, independente de qualquer coisa, então você se comprometerá para tal tarefa.

Os autores escrevem ainda que “Não podemos cultivar a conexão cedendo a todas as demandas da criança, seja por afeição, reconhecimento ou significância. Porém, podemos arruinar o relacionamento retirando da criança o que ela realmente precisa quando está expressando, genuinamente, alguma necessidade; responder à criança sob demanda não deve ser confundido com o enriquecimento da relação. Esse passo da dança não é uma resposta à criança. É o ato de conceber um relacionamento, repetidamente”.

Para crianças que têm uma ligação insegura com os pais, os autores observam que isso pode ser exaustivo para os mesmos e que “o problema é que a atenção dada [neste caso] nunca é suficiente: deixa uma incerteza de que os pais estão atendendo apenas às demandas, e não voluntariamente se doando para a criança. Então as demandas começam a aumentar mais e mais, e a necessidade emocional nunca se satisfaz. A solução é viver o momento, convidar o contato exatamente quando a criança não está pedindo.” Acredito que isso é especialmente eficaz em situações onde a filhos de mais de um casamento.

3. Convide a dependência. Os autores fazem uma comparação com o processo de namoro, quando um está continuamente se oferecendo a ajudar com uma atitude educada e feliz. “Você consegue imaginar o que aconteceria se, ao cortejar alguém, a mensagem enviada fosse: 'Não espere que eu lhe ajude com nada que eu ache que você pode ou deve fazer sozinho?'”

A dependência traz a independência no momento certo. Forçar a separação da criança causa pânico e faz com que ela “grude”.

Porém, o que os autores faltaram ressaltar aqui foi que, dentro do desenvolvimento normal da criança, isso aparece quando as crianças estão, de forma subconsciente, experimentando com o poder, com seus quereres e com as necessidades do seu desenvolvimento. Alguns pais precisam deixar com que seus filhos se tornem mais dependentes deles e precisam aprender a respeitar as indicações dos filhos mais velhos que que ainda não estão prontos para se separar. Porém, também há casos onde a criança está pronta para se separar e necessita disso, mas os pais não conseguem reconhecer que a criança precisa de apoio para fazer as coisas longe dos pais. Acredito que, dependendo da idade da criança, esta pode ser uma linha tênue onde os pais devem prestar atenção de forma muito consciente.

4. Aja como o compasso da criança. Precisamos guiar nossos filhos. Os autores escrevem: “Coisas mudaram demais para que nós sejamos guias. Não leva muito tempo para as crianças saberem mais que nós sobre o mundo dos computadores e da Internet, sobre seus jogos e brinquedos (...) Porém, apesar do fato do nosso mundo ter mudado (ou, mais corretamente, devido a este fato) está mais importante que nunca ter confiança em nós mesmos e assumir nossa posição como o compasso da vida dos nossos filhos”.

Os autores também listam várias frases que podem ajudar a orientar uma criança, tais como “Deixe-me mostrar como isso funciona”, “Você deve pedir ajuda a esta pessoa”, “Você tem o precisa para fazer (tal coisa)...”, etc.

Estas são coisas que vejo na vida real: mostrar a seu filho trabalho REAL e como fazer as coisas, primeiro por imitação (até os 7 anos) e depois ajudando-o a realizar trabalho real sozinho; ajudá-lo a encontrar seus pontos fortes e aumentar sua auto-confiança para enfrentar o que lhe desafia; aterrando seu filho na vida espiritual do FAZER; orientando-o, pelas suas ações, pela forma como você percebe o mundo e pela forma como você trata a família e as pessoas fora da família. Seja, você mesmo, um ser humano correto: se sua vida pessoal não estiver alinhada com a forma que você deseja que seu filho aja, é melhor que você mude para mostrar o significado de um ser humano moral. Na criação de um filho, não pode haver desconexões.

Acima de tudo, o compasso da criança inclui colocar limites de forma amorosa, com as ferramentas certas e na hora certa. Para todas as idades, é essencial controlar sua própria raiva e usar sua maturidade para ser adulto o suficiente para guiar a criança. Para todas as idades, mostrar à criança COMO make restitution é muito importante, é chave. Para as crianças com menos de sete anos, existe a imitação, usar as mãos para auxiliar de forma gentil, cantar, criar um ritmo, usar a distração, contar histórias, falar usando imagens e usar o movimento para ajudar a criança. Para crianças de cinco anos e meio ou seis, você pode usar frases curtas e diretas sobre o que precisa acontecer ou não. Para crianças de sete a oito, é possível usar uma explanação breve, com o cuidado de não estimular demais com as palavras. Para aquelas com mais de nove anos, uma conexão sincera ou uma conversa para resolver o problema.

Espero que este texto tenha ajudado você, como pai ou mãe, a unir as peças da conexão e dos limites para conseguir guiar seus filhos de forma gentil e amorosa, de uma forma madura onde você é o adulto, a realidade.

É bom ressaltar que tudo isso retrata uma situação ideal; porém, não somos perfeitos e TODOS nós passamos por momentos como pais onde nos perguntamos se estamos fazendo a coisa certa, se estamos estragando os nossos filhos, etc. Sim, todos nós já passamos por isso! Mas crie seus filhos com confiança e alegria; com conexões e limites para você e sua família você conseguirá criar seus filhos para serem adultos saudáveis!

terça-feira, 22 de março de 2011

Cultivando a gratidão nas crianças

Adaptado e traduzido livremente do texto de Carrie Dentley: http://theparentingpassageway.com/2010/11/14/back-to-basics-cultivating-gratitude-in-children/

Uma das reclamações que ouço frequentemente dos pais é que seus filhos parecem não apreciar as coisas nem saber expressar, prontamente, sua gratidão. Pais tem me contado histórias sobre como seus filhos pequenos só querem, querem, querem e querem, e como eles sentem raiva e tristeza se perguntando onde foi que erraram, pois seus filhos nunca estão satisfeitos.

Isso é difícil, e para começar é bom observar como você mesmo se sente sobre as emoções negativas que seu filho(a) expressa de forma geral. Estas emoções fazem com que você se depare com suas próprias questões? Comumente, quando uma criança faz algo que realmente nos irrita, existe uma razão do nosso próprio passado, da nossa própria “bagagem”, o que torna a questão uma espécie de gatilho.

Como você mesmo modela a gratidão na sua família? Existe uma atitude geral de contentamento ou você está sempre procurando por mais ou por coisas maiores e/ou melhores? Você é uma pessoa que reclama muito?

O que você faz todos os dias para ATIVAMENTE ser um modelo de conduta quanto à gratidão? Você agradece antes das refeiçoes? Você ora ou diz obrigado pelo que tem? Você reconta as coisas boas pelas quais você está grato e feliz antes de dormir?

Como é seu ambiente? É simples ou cheio que COISAS? Quantos brinquedos tem seu filho(a)? Pode ser que seja demais, mesmo que sejam apenas brinquedos “naturais”.

Qual a idade do seu filho(a)? Dos três aos seis anos (ou mesmo antes!!) pode ser difícil levá-los a lojas, pois eles podem não compreender que você não tem condições de comprar X, Y ou Z, então aconselho sair para as compras sozinho.

Você consegue apenas “refletir” os desejos dos seus filhos? Por exemplo, quando eles querem algo, responder “Eu também gostaria de algo assim” ou “É verdade, isso seria divertido”. Com frases simples assim você faz com que seu filho(a) saiba que foi ouvido, sem ter que entrar nos méritos do que ele(a) quer. O que eles querem pode ser, então, anotado numa lista de aniversário ou de Natal.

Que histórias você pode contar para trazer um componente de cura a toda esta questão? Existem algumas boas opções entre os contos dos Irmãos Grimm.

Você faz parte de uma comunidade espiritual que pode realizar atos de caridade? Até mesmo as crianças pequenas, dentro de um contexto de uma comunidade forte e acolhedora, pode realizar atividades de caridade (como participar na coleta de brinquedos e comida, por exemplo). Lembre-se que a questão não é falar sobre isso, mas FAZER.

Como está o nível de atividade física da criança? Como ela ajuda em casa e contribui para o bem estar do lar e da família? Eu acredito que crianças que tem tempo para querer, querer e querer provavelmente não estão usando sua energia física o suficiente! Também reflita sobre o calor que esta criança vem recebendo, a quantidade de escolhas que é forçada a fazer e o ritmo do seu lar.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Natal 2009

Tudo começa com Maria, que vai percorrendo seu caminho, aqui um espiral de elementos naturais (conchas e pedras de vidro coloridas). Fizemos a mangedoura com galhos do quintal, papelão e folhas secas. Os enfeites são pinhões que catamos e algumas velas. A mesa está coberta com feltro.


A mesa, mais alguns outros elementos ao redor (pinhões, rochas, árvore de natal).


Maria encontra José para fazerem a caminhada juntos. Colocamos três cores de pedra para representar nossa família: amarelo (eu, a mais velha), verde (meu esposo) e azul (nosso filho).


Jesus já nasceu e recebe a visita do pastor, enquanto os três reis magos se aproximam.


Todos contemplam o menino Jesus na mangedoura.


O legal de celebrar com uma mesa assim é que o enfoque pode ser mais no simbólico que no religioso, dependendo de cada família.


Todos os personagens foram confeccionados de feltro usando um molde baixado na Internet mesmo. A exceção foi o anjinho, que foi presente (de vidro). Este ano vamos adicionar mais elementos, como os animais da mangedoura.



Estamos começando a organizar nosso "ritual" de fim de ano. Relembrando 2009, aí foram algumas fotos de como fizemos ano passado. Foi bem legal ir construindo a mesa temática aos poucos, adicionando elementos semana a semana, com historinhas correspondentes. Um livro que ajudou (inspirou) bastante foi o "Advent: Lighting the Path to Christmas", da Annette Frontz.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Crianças não são mini-adultos!

Extraído do livro “You Are Your Child's First Teacher”, por Rahima Baldwin Dancy (tradução livre)

Uma forma de evitar muitos dos problemas que assolam os pais atualmente é entender o desenvolvimento infantil. Se pudermos compreender a natureza da criança pequena a medida que esta desabrocha, poderemos suprir as verdadeiras necessidades da criança e promover o desenvolvimento harmonioso da mente, corpo e emoções.

Apesar das crianças serem, obviamente, muito diferentes dos adultos, nossa cultura costuma tratá-las como “mini-adultos privilegiados” e tentar apressá-las pela infância. Diversos problemas surgem quando não nos damos conta de como uma criança de três anos é diferente de uma de nove, de um adolescente ou de um adulto. Isso parece óbvio, mas muitos pais levam todos os seus filhos ao mesmo filme numa tentativa de serem justos, ou então tentam fazer seu filho de cinco anos raciocinar como se sua habilidade com palavras devesse se traduzir diretamente em controle sobre suas próprias ações.

Atualmente, a “síndrome da criança apressada” está evidente em todos os setores de atividade. Fisicamente, é óbvio que os corpos das crianças não estão maduros ainda, mas mesmo assim tentamos apressar seu desenvolvimento com andadores ou “ginástica” para bebês. Similarmente, jeans de marca e bonecas Barbie para meninas pequenas contribuem para que entrem cada vez mais cedo no mundo adolescente de maquiagem, roupas e dietas.

Também é óbvio que crianças não são iguais aos adultos em termos emocionais. Uma criança pequena pode sorrir por entre lágrimas quando lhe é apresentada a mínima distração. A criança feliz de quatro anos contrasta fortemente do adolescente mau-humorado. Como um se transforma no outro? Está claro que a vida emocional interna leva muito tempo para desenvolver a complexidade e que tem a dos adultos. Porém, muitos adultos tentam desenvolver as emoções dos filhos e tentar fazer com que tenham consciência destas emoções nomeando, expressando ou até mesmo praticando emoções com eles. E tendemos a expor crianças pequenas a situações demasiadamente fortes emocionalmente (da próxima vez que for ao cinema perceba quantas crianças infelizes estão por lá!).

É óbvio que crianças não raciocinam da mesma forma que os adultos. Elas conseguem dizer frases fantásticas, tanto sobre como o mundo funciona e sobre coisas erradas que não deveriam ter feito mas que “de alguma forma” aconteceram. Porém, o pensamento lógico e a capacidade de resolução de problemas se desenvolvem lentamente. Crianças muito pequenas, por exemplo, carecem de “permanência de objetos”, e procurarão por um objeto no local onde sempre o acham, ao invés de no lugar onde viram a mãe colocar. Crianças menores que seis anos ainda não tem a habilidade que Piaget chama de “pensamento operacional concreto”. O raciocínio lógico não se desenvolve até os dez ou onze anos, conforme observado pelos estudos de Piaget. Ou seja, há muito tempo vem se documentando que a capacidade de raciocinar e pensar de forma lógica é um poder que desabrocha aos poucos, à medida que a criança cresce e se apropria dele. Como adultos esquecemos como era viver num mundo não-linear e não-sequencial. Temos a expectativa de poder raciocinar com nossos filhos assim que eles comecem a falar. Tentamos fazê-los raciocinar sobre tudo desde seu comportamento e respectivas consequências até os motivos que fazem o mar ser salgado. E, de fato, algumas crianças demonstram grande habilidade de levar adiante tais conversas com seus pais; porém, estas crianças aprenderam a fazer isto imitando anos deste tipo de interação com os pais. Crianças pequenas ainda não pensam de forma racional, e o uso do raciocínio tem pouco impacto na mudança do seu comportamento.

Similarmente, oferecemos longas explicações científicas como respostas às indagações das crianças, quando uma experiência direta de algo semelhante ou uma imagem que pode ganhar vida e se transformar através de sua imaginação lhes daria muito mais satisfação. Explanações racionais são como dar pedras ao invés de pão a uma criança com fome. Quando uma criança pergunta coisas do tipo “Por que o sol brilha?” ela está, na verdade, indagando sobre o propósito do sol e não sobre mecânica; por isso, ficam muito mais satisfeitas com uma resposta do tipo “Para nos manter quentes e fazer a grama e as flores crescerem” ao invés de uma palestra sobre termodinâmica.